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O que é o coronavírus e a COVID-19: informação sobre sintomas, testes e precauções

O que é o coronavírus?

Nomeia-se como coronavírus (CoV) a uma ampla família de vírus que pode causar uma série de infecções e que afecta, no geral, unicamente os animais: no entanto, algumas variantes do vírus podem ser transmitidas aos seres humanos. A nova variante que se descobriu e se está a propagar desde Dezembro de 2019 é a SARS-CoV-2, que teve o seu epicentro em Wuhan, na província chinesa de Hubei,e que produz uma doença conhecida como COVID-19.

A partir dos dados recolhidos até ao momento, o período de incubação do COVID-19, ou seja, o tempo que decorre entre a infecção pelo vírus e o aparecimento de sintomas da doença, ronda os 5 dias, mas pode oscilar entre 1 e 14 dias. 

Tipos de coronavírus nas últimas décadas

  • SRAS-CoV: surgiu em 2002 na China e afectou mais de 8000 pessoas de 37 países. É um síndrome respiratório agudo e grave cuja taxa de mortalidade rondou os 10%. Desde 2003 não se registaram mais casos em nenhum lugar do mundo. 
  • MERS-CoV: detectou-se em 2012 na Arábia Saudita e os últimos casos datam Outubro de 2019. Este corononavírus provocou um síndrome respiratório do Médio Oriente e o ainda que o número de casos tenha sido de aproximadamente 2400, a taxa de mortalidade alcançou os 35%.
  • COVID-19: É o tipo mais recente, causador de uma doença infecciosa que se propaga com maior rapidez, mas cuja taxa de mortalidade é mais baixa do que a dos casos anteriores. No mês de Março de 2020, existem casos detectados em mais de 100 países.

Modos de contágio de coronavírus

O COVID-19 pode contrair-se por contacto com outra pessoa infectada pelo vírus:

  • Pode propagar-se através do contacto directo com as secreções respiratórias ou gotículas precedentes do nariz ou da boca que saem quando a pessoa infectada espirra ou tosse.
  • Estas gotículas ao pousarem sobre objectos e superfícies próximas, outras pessoas podem entrar em contacto com o vírus ou contrair a COVID-19, se depois tocarem de tocarem nesses objectos colocarem as mãos nos olhos, nariz ou boca. 
  • Também existe contágio ao inalar as gotículas espalhadas pela pessoa com COVID-19 ao tossir ou espirrar. 

Outros aspectos importantes sobre os modos de contágio 

 

  • A COVID-19 pode transmitir-se através do ar?

 

Até agora, os estudos realizados apontam a que a transmissão do vírus é principalmente pelo contacto directo com gotículas respiratórias e não tanto pelo ar. É pouco provável a transmissão através do ar em distâncias maiores de 1 ou 2 metros. 

 

  • Uma pessoa que não apresente nenhum sintoma pode contagiar outras de COVID-19?

 

O risco de contrair a COVID-19 por contacto com alguém que não apresente sintomas é bastante baixo, dentro do que se sabe.

No entanto, é importante considerar que muitas pessoas infectadas podem apresentar sintomas leves, especialmente nas primeiras etapas de doença. Isto quer dizer que é possível o contágio por contacto com pessoas que não se sintam doentes e apenas tenham uma tosse leve. 

 

  • É possível contagiar-se por contacto com as fezes de alguém com COVID-19?

 

Esta possibilidade parece ser baixa, ainda que as primeiras investigações apontem que o vírus está presente nas fezes, a sua propagação por esta vía não caracteriza esta pandemia de coronavírus. 

 

  • Pode contrair-se o vírus SARS-CoV-2 por contacto com um animal?

 

Ainda que a família de coronavírus seja comum em animais, raramente as pessoas são infectadas e no caso da COVID-19 ainda não se confirmou a sua possível origem animal. 

 

  • Pode contrair-se o COVID-19 pelo contacto com o animal de estimação?

 

Não há dados que indiquem que os animais como gatos ou cães tenham sido infectados ou possam propagar o vírus SARS-CoV-2 que provoca a COVID-19. Por isso, nem cães nem gatos são uma fonte de contágio. 

Não se deve confundir o SARS-CoV-2 com os coronavírus caninos e os coronavírus felinos, que afectam, respectivamente, este tipo de animais. Ainda que se recomende sempre tomar as medidas de higiene quando se têm animais de estimação infectados, não existem provas de que o coronavírus canino ou felino contagia as pessoas, ou seja,não infectam os seres humanos. 

Quais são os sintomas do coronavírus SARS-CoV-2

Sintomas mais frequentes da COVID-19:

  • Febre (37.3 considera-se febre leve, a partir de 38 graus considera-se febre alta)
  • Cansanço
  • Tosse seca

Sintomas menos frequentes da COVID-19 (podem ser leves ou aparecer de forma gradual):

  • Dores 
  • Congestão nasal
  • Rinorreia
  • Dor de garganta 
  • Calafrios e mal-estar geral
  • Dor de cabeça
  • Diarreia
  • Dor abdominal

Importante: cerca de uma em cada 6 pessoas com a COVID-19 desenvolve uma doença grave e tem dificuldades em respirar. O grupo de maior risco são as pessoas idosas e aquelas que já têm condições médicas preexistentes e subjacentes, como hipertensão arterial, problemas cardíacos ou diabetes. 

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Informação relacionada com o tratamento de COVID-19

  • A maioria das pessoas com COVID-19 (cerca de 80%) recuperam sem necessidade de realizar qualquer tratamento especial.
  • Os antibióticos não são eficazes contra os vírus como o SARS-CoV-2, apenas para as infecções bacterianas. Por isso, não se devem usar antibióticos como meio de prevenção ou tratamento da COVID-19, nem se recomenda automedicação.
  • Estão-se a realizar, ensaios clínicos, mas não há provas que confirmem que os medicamentos actuais possam prevenir ou curar a doença.
  • Há investigações em curso, mas até à data, não há nennhuma vacina, tratamento ou medicamento antiviral específico para prevenir ou tratar o COVID-2019. 

É importante entender que:

  • A maioria das pessoas com COVID-19 recuperam com a ajuda de medidas de apoio.
  • As pessoas infectadas pela COVID-19 devem receber atenção médica para aliviar os sintomas.

Como prevenir o coronavírus

  • Lavar as mãos a fundo (durante 20 segundos), com frequência e usando um desinfectante à base de álcool ou com água e sabão para matar os vírus que possam existir nas nossas mãos.
  • Manter uma distância de 1 metro (3 pés) com qualquer pessoa que tussa ou espirre, de forma a evitar o contacto com as gotículas que possam conter o vírus.
  • Evitar tocar nos olhos, nariz e boca com as mãos, ja que uma vez que estas estejam contaminadas, é através delas que se pode transferir o vírus ao corpo e contrair a COVID-19.
  • Manter uma boa higiene das vias respiratórias, cobrindo a boca e nariz com o cotovelo dobrado ou com um lenço de papel que seja rapidamente descartado, para evitar contagiar terceiros.
  • Permanecer em casa se não se encontrar bem e recorrer a um ponto de atenção médica apenas se apresentar sintomas mais graves, chamando a atenção das autoridades sanitárias competentes. As pessoas doentes expõem-se a maiores riscos em centros de saúde e hospitais, onde podem contrair outras infecções ou ajudar a propagar o vírus.
  •  Evitar as deslocações a zonas de maior perigo, ou seja, em que o vírus se está a propagar mais extensa e rapidamente.
  • Reduzir as deslocações desnecessárias e evitar a exposição a lugares com um grande número de pessoas
  • Consultar a informação mais actualizada em canais de comunicação das autoridades nacionais e locais. Garanta sempre que se trata de fontes fiáveis como a OMS, DGS portuguesa ou o SNS24.

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Como actuar se apresenta sintomas de COVID-19

Se apresentar sintomas leves, tais como, mal-estar ou febre, mas não esteve em zonas de risco (aquelas nas que se está a ocorrer transmissão a nível da comunidade) nem tem contacto com casos confirmados de pessoas portadoras de coronavírus:

  • Permaneça em casa e reduza as deslocações durante as duas próximas semanas.
  • Evite o contacto directo com outras pessoas, use máscara e não partilhe objectos como copos, toalhas, mantas, etc. 
  • Siga as medidas de prevenção geral
  • Beba muitos líquidos, descanse e siga uma boa alimentação.
  • Observe como evoluem os sintomas e peça informação via telefónica no caso de piorarem. 

Se apresenta sintomas respiratórios (febre, tosse e sensação de falta de ar), esteve recentemente (14 dias anteriores) numa das zonas de risco ou teve contacto directo com uma pessoa confirmada com o caso de COVID-19. 

  • Permaneça no seu domicílio e contacte com os serviços de saúde telefonicamente (SNS 24) para que avaliem o seu estado de saúde, o antecedente de viagem e o possível contacto com casos de coronavírus. 

 Se apresenta os sintomas mais graves ou pertencentes a algum dos grupos de maior risco:

  • Permaneça em casa e contacte rapidamente com o SNS24 para que avaliem o seu estado de saúde, o antecedente de viagem e o possível contacto com casos de coronavírus.

Se esteve nos últimos 14 dias numa zona de risco mas tem um bom estado de saúde:

  • Continue com a sua vida quotidiana, seguindo as recomendações de prevenção dadas à população geral: permanecer em casa, reduzir as deslocações, etc.
  • Observe o seu próprio estado de saúde antes do aparecimento de sintomas associados à COVID-19.

Se actualmente está numa zona de risco mas não tem um bom estado de saúde:

  • Evite deslocações fora da zona de risco para minimizar as possibilidades de expandir o contágio a outros lugares.
  • Siga as recomendações de permanência em casa e reduza as deslocações.
  • Siga as normais gerais de prevenção.

Testes de coronavírus 

Se apresentar sintomas como febre, tosse ou dificuldade respiratória e tiver estado em contacto com uma pessoa infectada por COVID-19, ou tiver regressado recentemente de uma área afectada, deve ligar para o SNS24 (808 24 24 24). Após este contacto e validação da história clínica, os profissionais de saúde irão determinar se é necessário fazer o teste para COVID-19.

Existem também laboratórios privados que realizam um teste ao coronavírus. Se acredita que necessita de fazer este despiste, pode fazer aqui o seu pedido.

Preço dos testes de coronavírus

Estes testes são totalmente gratuitos e suportados pelo Sistema Nacional de Saúde (SNS) para as pessoas que os profissionais de saúde considerem um caso suspeito.

Paralelamente, alguns laboratórios privados realizam testes de despiste ao coronavírus, em função dos protocolos definidos internamente em cada um deles. De acordo com alguns meios de comunicação e dos próprios laboratórios, na data de 12 de Março, os preços por cada teste podem ir dos 101€ aos 250€, pelo que não se recomenda não actuar de maneira precipitada e seguir as indicações dadas até agora: observar os sintomas e actuar de acordo com as normas de prevenção.

Veja aqui a nossa página de estimativa de custo para o teste de coronavírus.

 

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Outras recomendações e responsabilidades

Animais e alimentação

  • Se for a mercados de animais vivos ou espaços semelhantes, evite o contacto directo com animais e superfícies com as que estes estejam em contacto. 
  • Manipule com cuidado a carne, o leite e os órgãos de animais crus para evitar que se contaminem alimentos não cozinhados e evite o consumo de produtos animais crus ou pouco cozinhados. 

Limpeza e higiene

  • Limpe com um desinfectante comum qualquer superfície que crê que possa estar infectada
  • Deite fora rapidamente lenços, guardanapos e outros artículos semelhantes que utilize para limpar o nariz,os olhos ou a boca.
  • Limpe aqueles objectos quotidianos e superfícies que podem entrar em contacto com as secreções respiratórias. 

Máscaras e produtos desinfectantes

  • Não use máscara a menos que seja uma pessoa que esteja doente doente. Estas apenas servem para evitar a transmissão  do vírus a outras pessoas e serão os e as profissionais de saúde que indicarão o seu uso quando considerarem necessário. Um mau uso deste produto pode contribuir para que haja falta de unidades para quem realmente necessita delas. Para saber mais sobre o seu uso, consulte fontes oficiais como a Organização Mundial de Saúde (OMS).
  • Para uma correcta higiene das mãos basta um sabão comum e água ou desinfectante à base de alcool,pelo que não deve utilizar outros produtos que podem ter efeitos adversos por serem usados incorrectamente e causar danos nas mucosas, como álcool ou cloro. 

Informação e rumores

  • Se tem dúvidas ou se quiser saber novidades sobre a evolução da situação, consulte fontes oficiais como a OMS, a DGS, o SNS ou canais oficiais do Governo português
  • Faça um uso responsável das vias de comunicação facilitadas para esta situação, já que podem haver pessoas em situações graves que realmente necessitem de dispor destas.

Fonte: Organização Mundial de Saúde, DGS, Ministério da Saúde